Ibama explica por que destrói dragas e usa armas em operações contra garimpo no AM
Superintendente diz que cerca de 4 mil dragas foram destruídas no Amazonas desde 2023 e que a medida evita riscos às equipes em áreas remotas.
Vídeos de agentes armados entrando na mata, destruindo dragas e incendiando aeronaves do garimpo ilegal têm circulado nas redes sociais e despertado dúvidas. O Ibama explica que esse é um trabalho operacional previsto em lei e feito com frequência no Amazonas, em regiões como o Vale do Javari e o Rio Madeira. Muitas vezes a atuação é em parceria com a Polícia Federal e a Funai.
Segundo o superintendente do Ibama no estado, Joel Araújo, cerca de 4 mil dragas foram destruídas no Amazonas desde 2023. Ele afirma que os agentes enfrentam diretamente grupos criminosos e, por isso, usam armamento letal e não letal, colete à prova de balas, capacetes, helicópteros e lanchas rápidas, com apoio da PF, da Força Nacional e de outras forças de segurança.
De acordo com Araújo, a maior visibilidade nas redes mostra um lado do órgão que muita gente não conhece. “E agora as pessoas estão descobrindo outro Ibama, que faz o enfrentamento direto a criminosos”, disse.
Por que os equipamentos são destruídos
A destruição é uma medida excepcional, prevista no artigo 111 do Decreto Federal nº 6.514/2008. A norma permite inutilizar bens usados em infrações ambientais quando o transporte e a guarda são inviáveis ou quando há risco ao meio ambiente ou às pessoas. Segundo o superintendente, isso vale principalmente para casos graves em áreas protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação.
Ele explica que retirar os equipamentos de locais distantes exigiria uma estrutura de grande porte e exporia as equipes a riscos, inclusive de emboscadas. O chefe da assessoria de comunicação do órgão, Tiago Costa, acrescenta que os equipamentos são adaptados de forma precária e não oferecem segurança. Ele cita o caso das aeronaves, modificadas para transportar material do garimpo, o que compromete a segurança de quem estiver a bordo.
Fogo e impacto ambiental
Outra dúvida é sobre a poluição causada pela queima. Joel Araújo diz que o Ibama considera esse efeito, mas avalia que ele é menor que o dano de uma draga em funcionamento contínuo. O decreto também exige que a destruição seja documentada, com registros dos bens antes e depois da ação e avaliação técnica.
Operações recentes no Amazonas
Em 30 de outubro, a Operação Aurum, perto do vilarejo Santa Rita do Weill, em Tabatinga, apreendeu ou destruiu oito dragas, sete motor-balsas e uma rabeta. Participaram PF, Ibama e Funai.
Entre 21 e 25 de setembro de 2026, a Operação Hidra Dourada, entre Autazes e Novo Aripuanã, no Rio Madeira, destruiu 22 dragas e cinco embarcações de apoio. Em março de 2025, a Operação Xapiri, na região de Borba, destruiu 23 dragas e embarcações e identificou 25 trabalhadores em situação análoga à escravidão, dois deles menores de idade. No Vale do Javari, a Operação Nidaid Isquim, iniciada em abril de 2025 no Rio Jandiatuba, inutilizou 16 dragas e maquinários, conforme balanço inicial da Funai.
As ações também interrompem alterações nos leitos e margens dos rios, a retirada de vegetação e a contaminação da água por mercúrio, problemas que atingem comunidades indígenas e ribeirinhas que dependem dos rios.
Com informações de G1 amazonas.




