domingo, 1 de novembro de 2026 Amazonas
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PF diz que presidente do TCE-MT sacou R$ 15,6 milhões em dinheiro vivo

Conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida foi preso na quinta (29) na Operação Tomada de Conta. Segundo a PF, ele lideraria esquema com dinheiro desviado do tribunal.

Foto: Amazonas Atual

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, sacou R$ 15,6 milhões em espécie em dez meses, segundo a Polícia Federal. Foram 150 saques entre 1.º de janeiro e 22 de outubro de 2025. Desse total, 64 ocorreram no guichê do banco, somando R$ 15,47 milhões, e 86 em terminal de autoatendimento.

Os dados constam de relatório da PF na Operação Tomada de Conta. Almeida foi preso na quinta-feira (29), por ordem do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele é investigado sob suspeita de liderar uma estrutura de operadores financeiros que converteria em dinheiro vivo recursos retirados dos cofres do próprio tribunal. Ele não foi condenado.

Pagamentos e movimentação suspeita

A PF analisou 294 dias de movimentação bancária e apontou R$ 75,85 milhões considerados suspeitos. Segundo os investigadores, outras pessoas ainda não identificadas podem ter participado.

Foram encontrados 101 lançamentos do TCE-MT em favor do conselheiro, no total de R$ 15,44 milhões. Desse valor, R$ 10,78 milhões vieram de ordens bancárias avulsas, R$ 4,35 milhões da rubrica “pagamento a fornecedores” e R$ 304.960,02 de salário. Segundo a PF, apenas R$ 288.501,05 foram publicados como pagamentos a ele.

Relatórios de inteligência financeira indicam que, em várias ocasiões, os saques ficaram logo abaixo do limite de comunicação automática ao Coaf. Imagens de uma agência do Sicoob dentro do TCE-MT mostram retiradas e entregas de dinheiro com participação de servidores. A maior parte foi operada pela chefe de gabinete da presidência, que também é alvo da operação, conforme o laudo da PF.

Suspeita de contratos suspensos e pressão sobre fornecedores

A PF afirma que o conselheiro usaria o cargo para favorecer empresas contratadas em troca de propina. Também suspeita que ele suspendia contratos e bloqueava pagamentos, sob o argumento de cortes no orçamento, para pressionar fornecedores. Para a PF, ele ocupa “posição de comando da estrutura criminosa investigada”.

Os investigadores relatam ainda que, após uma diligência policial em 14 de outubro de 2025, a segurança do tribunal abordou um agente que fazia observação no local. Depois disso, os saques diminuíram por um tempo e o padrão financeiro mudou, até as movimentações suspeitas voltarem.

Em parecer ao STJ, o Ministério Público Federal defendeu a prisão. Segundo a Procuradoria, os crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro têm natureza permanente e a estrutura segue ativa. O órgão cita risco à ordem pública, à instrução criminal e à aplicação da lei penal.

O TCE-MT informou que “seguirá atuando com responsabilidade e serenidade”. A defesa de Almeida foi procurada, mas não havia respondido até a publicação do texto original.

Com informações de Portal do Holanda, Amazonas Atual.