Adolescente com deficiência visual que abraçou Lula diz que quer ser presidente
Estudante de 13 anos de Brasília cumprimentou o presidente no aniversário de 81 anos e defende mais acessibilidade e participação dos jovens na política.
Um estudante de 13 anos, morador de Brasília e com deficiência visual, abraçou o presidente Lula no dia 27, quando o petista completou 81 anos. O encontro durou cerca de 50 segundos, em frente ao Palácio da Alvorada. Em entrevista à Agência Brasil, o adolescente contou que não conseguiu dizer tudo o que queria e que tem um sonho: “Queria dizer a ele que quero ser presidente também.”
Acompanhado do pai, ele foi até a grade do Alvorada ao saber que eleitores de Lula fariam uma homenagem ao aniversariante. Para ir, faltou à aula de futebol. Usava a mesma camisa da seleção brasileira, com o número 13, do dia do abraço. No breve contato, agradeceu pelas políticas públicas e disse que admira o presidente.
Doença genética e rotina ativa
O garoto tem menos de 5% da visão nos dois olhos por causa da Amaurose Congênita de Leber, doença genética descoberta quando ele tinha dois meses. Segundo a família, ele foi estimulado desde cedo a ser ativo. Para estudar, usa um teclado eletrônico em braille conectado ao computador. Na opinião dele, o governo deveria ajudar outras pessoas a terem o equipamento.
A mãe, servidora pública, afirma que a família lia para ele desde que nasceu. Segundo ela, o filho sempre se interessou por história e geopolítica. Já o interesse por economia e pelas notícias do mundo, incluindo a desigualdade, é considerado precoce para a idade.
Propostas e cobranças
Se tivesse dez minutos com Lula, o estudante diz que falaria mais sobre as políticas públicas e sugeriria a criação de um ministério exclusivo para pessoas com deficiência. Desde janeiro de 2023, o governo federal tem a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, ligada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
O adolescente critica a falta de acessibilidade. Segundo ele, há pisos irregulares, prédios sem rampa ou elevador e poucos recursos no transporte público. “Eu acho que o Brasil tem que melhorar muito”, diz. Entre os fatos recentes que mais lhe chamaram a atenção, cita a saída do Brasil do Mapa da Fome e a taxa de desemprego, a menor desde 2015. Ele também cobra que o país deixe a condição de emergente e se torne desenvolvido.
O estudante defende ainda que os jovens participem mais da política, mesmo antes de poderem votar, o que só é possível a partir dos 16 anos. Ele se emocionou ao saber de adolescentes em manifestações de rua durante a campanha eleitoral deste ano. Em casa, o tema do preconceito, incluindo o capacitismo e o racismo, é assunto frequente, segundo o pai. A mãe diz desejar, acima de tudo, que o filho seja feliz e tenha acesso a oportunidades.
Com informações de Agência Brasil — Últimas notícias.



