domingo, 1 de novembro de 2026 Amazonas
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Força Nacional vai reforçar proteção a aldeias Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul

Ministro da Justiça anunciou ampliação do efetivo após denúncias de violência e ameaças contra indígenas depois do segundo turno da eleição.

Eloy Terena
Foto: Superior Tribunal de Justiça STJ from Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0) — Foto: Superior Tribunal de Justiça STJ from Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Força Nacional vai permanecer em Mato Grosso do Sul e terá o efetivo ampliado para proteger aldeias indígenas Guarani Kaiowá. O anúncio foi feito neste sábado (31) pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, durante visita a comunidades na fronteira com o Paraguai.

A medida vem após denúncias de violência política na região depois do segundo turno da eleição, realizado na semana passada, que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabilizou mais de 30 casos.

Atuação “minuto a minuto”

Segundo o ministro, a tropa adotará um procedimento chamado “Minuto a Minuto”. Os agentes ficarão sempre em campo, prontos para se deslocar a qualquer ocorrência com aparência criminosa ou grave. Poderão ser acionados pela Polícia Federal, pela Polícia Rodoviária Federal ou pelas forças estaduais.

Lima e Silva explicou que o sistema vai informar, por imagem e detecção, o tipo de ocorrência e, sempre que possível, já indicar autoria e materialidade.

O ministro esteve com os ministros Eloy Terena, dos Povos Indígenas, e Janine Mello, dos Direitos Humanos, nas aldeias Sassoró, em Tacuru, e Taquapery, em Coronel Sapucaia.

Ameaça de envenenamento e incêndio

A aldeia Sassoró foi alvo de ameaça de envenenamento da água, segundo um áudio que circulou em grupos de moradores de Tacuru. A suspeita é de que um servidor público do município tenha participação. De acordo com Eloy Terena, a Polícia Federal já ouviu os suspeitos, e o monitoramento da qualidade da água será reforçado.

Entre os ataques denunciados está o incêndio da casa de uma rezadeira de 90 anos na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, na manhã de quinta-feira (29). Conforme a Apib, o fogo foi criminoso e destruiu também instrumentos sagrados usados em rituais tradicionais.

Terena pediu cautela na análise das denúncias, pois alguns casos levantados ocorreram em outros momentos. Segundo ele, após a triagem restaram 10 casos, quatro deles em Mato Grosso do Sul. “Apenas esse caso do envenenamento tem uma ligação direta com crime político”, afirmou, ao dizer que os demais, como atropelamentos, por ora não têm essa ligação, mas não serão descartados.

O Ministério dos Direitos Humanos informou que colocará o Programa de Proteção à disposição das vítimas. Mais de 80 indígenas de Mato Grosso do Sul já estão no programa, segundo a pasta.

Com informações de Agência Brasil — Últimas notícias, Amazonas Atual.

Foto de Eloy Terena: Superior Tribunal de Justiça STJ from Brasil, licença CC BY 2.0.