segunda-feira, 2 de novembro de 2026 Amazonas
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Seca e incêndios derrubam produção de mel e afetam roças em Roraima

Apicultores relatam perda de enxames e queda de até 80% na produção. Estado decretou emergência e teme El Niño mais forte entre novembro e dezembro.

Foto: G1 amazonas

A seca prolongada e o avanço dos incêndios florestais em Roraima têm causado prejuízos a apicultores e agricultores do estado. Com altas temperaturas e falta de chuva, as plantas deixam de florir. Sem néctar e pólen, as abelhas não se alimentam, o que ameaça a sobrevivência dos enxames e derruba a produção de mel.

Enxames em fuga e colmeias queimadas

O apicultor José Pinheiro, que mantém criação na zona rural de Boa Vista, conta que parte dos enxames migrou para outras regiões. Com menos abelhas, ele precisou retirar caixas de captação, e o rendimento caiu ainda mais. A produção dele recuou 80%. “Nos meus apiários, eu já cheguei a produzir até cinco toneladas de mel. Hoje, só estou tirando uma tonelada”, lamenta.

Boa parte das criações do estado fica no lavrado, área de vegetação seca em que o fogo se espalha com facilidade. Na mesma região, o apicultor Anderson Freitas perdeu mais de 20 caixas de abelhas quando um incêndio destruiu uma propriedade de 200 hectares. Segundo o relato, o fogo começou depois que o escapamento de um carro encostou na vegetação seca. As chamas atingiram também o veículo e uma carretinha de transporte.

A estiagem também afeta quem planta. Na zona rural da capital, roças de tomate, milho e couve sofrem com a falta de água. O agricultor Carlos Pereira investiu cerca de R$ 12 mil no tomate e perdeu grande parte da safra. Ele teme que a situação piore: se o verão se estender por mais cinco ou seis meses, diz que vai parar de produzir.

Emergência e alerta para o El Niño

O Governo de Roraima decretou situação de emergência em setembro e criou um gabinete para coordenar o combate aos incêndios florestais. Segundo o diretor executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Cidinei Lima da Silva, a previsão de um El Niño mais forte entre novembro e dezembro aumenta o alerta. Ele afirmou que Iracema, Cantá e Normandia já decretaram emergência e recebem apoio com kits de combate, ferramentas e bombas abafadoras.

O cenário é mais crítico na região centro-norte do estado, principalmente nas áreas de lavrado. Em outubro, Roraima registrou cerca de 360 focos de calor, número próximo da máxima histórica para o mês, quando satélites captaram mais de 400 focos, em 2023. Equipes do governo orientam os produtores rurais a não usar fogo para limpar terrenos durante o período.

Com informações de G1 amazonas.