sábado, 7 de novembro de 2026 Amazonas
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Conferência em Brasília defende rede de apoio entre mulheres contra o machismo

Evento "Mulheres que movem a justiça" reúne comunicadoras e advogadas, que discutem desinformação, misoginia e ocupação de espaços de poder.

Foto: Agência Brasil — Últimas notícias

Comunicadoras, advogadas e cineastas defenderam, nesta quinta-feira (5), a criação de redes de apoio entre mulheres como forma de enfrentar o machismo e ampliar a presença feminina nos espaços de poder. O debate faz parte da conferência internacional “Mulheres que movem a justiça”, que acontece em Brasília até sexta-feira (6) e discute uma justiça mais igualitária no Brasil.

Segundo as participantes, quem trabalha com produção de informação também tem papel no combate a mensagens misóginas e à desinformação.

União feminina e o “lobby do batom”

A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, lembrou conquistas históricas obtidas pela união de mulheres. Citou o chamado “lobby do batom”, aliança suprapartidária de deputadas federais e senadoras na Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988. Para ela, boa parte dos direitos garantidos até hoje veio da atuação de poucas parlamentares organizadas.

Antonia também mencionou a informação de que pelo menos 40% dos cargos vitalícios serão nomeados na próxima década, o que abriria espaço para mais mulheres no Judiciário. Por isso, na avaliação dela, as profissionais da área devem se fortalecer. “Atuar em rede, para quem é mulher, é estratégia de sobrevivência”, afirmou. A presidente da EBC disse ainda que a comunicação pública tem sido alvo frequente de governos extremistas.

Informação, direitos e Judiciário

A advogada e influenciadora Sara Gabriela, criadora da página “Seja a princesa que salva a si mesma”, defendeu que o machismo seja reconhecido como elemento cultural a ser enfrentado. Ela considera o ordenamento jurídico brasileiro avançado, mas diz que é preciso agir com objetividade e informação concreta contra a misoginia. O projeto nasceu em 2019, a partir do atendimento que ela prestava a mulheres vítimas de violência em comunidades de Goiás.

Outra advogada, Miriane Ferreira, produz vídeos para explicar temas jurídicos a mulheres. Ela alertou que muitas deixam de reivindicar parte do patrimônio construído durante o casamento por terem se dedicado ao trabalho doméstico e ao cuidado da família, e não a uma atividade fora de casa. Também reforçou a importância da solidariedade entre mulheres.

A advogada Mayra Cotta, criadora da série “Afiadas”, exibida na TV Brasil, afirmou que as mulheres denunciam mais violações, mas enfrentam dificuldades no Judiciário. Segundo ela, não basta ter mais mulheres em cargos de representação: é preciso mais respeito na forma como as denúncias são recebidas.

A jornalista Thayse Xavier, fundadora da plataforma “Elas trabalham”, disse que o objetivo é estimular a participação feminina nos espaços de poder e que mulheres fora desses espaços devem apoiar as que já estão lá. A cineasta Fernanda Amim, diretora do documentário “Reconhecidos”, sobre racismo e falhas do reconhecimento fotográfico na justiça criminal, defendeu abrir espaços por meio de histórias.

Com informações de Agência Brasil — Últimas notícias.