quinta-feira, 5 de novembro de 2026 Amazonas
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“Taxa da seca” no frete preocupa comerciantes de Manaus antes da Black Friday

Com o Rio Negro em 16,48 metros, transportadoras podem cobrar sobretaxa. Presidente da CDL projeta reajuste de 8% a 10% em alguns produtos.

Foto: CM7

A vazante do Rio Negro voltou a pressionar o custo do transporte de mercadorias e preocupa comerciantes de Manaus. Segundo o registro do Porto de Manaus, o rio marcou 16,48 metros nesta quinta-feira (5). O nível está abaixo da referência de 17,70 metros usada em 2026 para analisar a chamada “taxa da seca”.

A cobrança, conhecida internacionalmente como Low Water Surcharge (LWS), serve para compensar custos extras das empresas de navegação quando a profundidade dos rios limita a operação. Com menos água, os navios podem carregar menos, e algumas operações exigem mudanças de rota e na movimentação de contêineres. Isso pode elevar gastos com transporte, armazenamento e serviços portuários.

Antaq passa a exigir justificativas

Para 2026, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) definiu novas condições. As transportadoras precisam apresentar justificativas técnicas e econômicas para os valores. A agência analisa cada pedido individualmente e pode rejeitar, suspender ou revisar a cobrança. De acordo com a Antaq, a meta é evitar sobretaxas sem comprovação dos custos adicionais.

A regra, porém, não proíbe a taxa de forma geral. Algumas transportadoras já anunciam custos extraordinários, enquanto outras mantêm as condições comerciais. Alguns contratos também trazem regras próprias sobre compensações, créditos ou revisão de valores, que não valem automaticamente para todos os clientes.

Impacto no comércio

Os mais atingidos são os lojistas que dependem de produtos importados, já que a carga pode levar cerca de 90 dias para chegar a Manaus. O presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag, estimou que a estiagem pode provocar reajustes de 8% a 10% em determinados produtos. O percentual é uma projeção do setor, e não um aumento confirmado para todas as mercadorias.

A proximidade da Black Friday aumenta a cautela. O período exige estoques maiores, e há o receio de vender grandes volumes sem conseguir repor as mercadorias a tempo. Atrasos nas entregas também podem atrapalhar o planejamento das lojas e obrigar os empresários a equilibrar promoções e custos logísticos. O setor comercial, no entanto, não aponta risco imediato de desabastecimento generalizado na capital.

Os dados mais recentes indicam desaceleração da vazante. O Rio Negro ficou em 16,50 metros de 1º a 3 de novembro, caiu para 16,49 metros na quarta-feira (4) e chegou a 16,48 metros na quinta. Foram dois centímetros a menos em cinco dias. Outros rios da região apresentam pequenas oscilações, mas isso ainda não confirma o fim da vazante, e empresas e comerciantes seguem acompanhando as condições de navegação.

Com informações de Portal do Holanda, CM7.