Projeto no bairro Redenção ensina crochê a mulheres e reduz lixo em igarapé
Iniciativa de Maria Cristina, de 64 anos, une geração de renda, acolhimento e educação ambiental na Zona Centro-Oeste de Manaus.
Um projeto social criado por uma moradora do bairro Redenção, na Zona Centro-Oeste de Manaus, usa o crochê e o reaproveitamento de materiais para capacitar mulheres, gerar renda e combater o descarte irregular de lixo em um igarapé da região.
A ideia partiu de Maria Cristina, hoje com 64 anos. Ela conta que se incomodava com a quantidade de garrafas PET jogadas no igarapé perto de casa. A filha a incentivou a ensinar o que sabia, como crochê e confecção de sandálias, a outras mulheres da comunidade. “Era um rio de garrafa descartada”, relembrou.
Da sala de casa à sede própria
As atividades começaram na sala da casa dela. Em uma semana, o projeto já tinha dez alunas. Com o crescimento, passou a funcionar em outro espaço e, depois, ganhou sede própria.
A procura pelas oficinas segue alta. Além das técnicas de crochê e de reaproveitamento de materiais, como garrafa PET, papelão e revistas, o espaço funciona como local de acolhimento. Segundo Maria Cristina, algumas mulheres chegam com depressão ou outros problemas de saúde, outras estão recém-separadas ou viúvas, e há as que buscam apenas aprender o ofício.
Célia Bentes, que entrou no projeto em 2016 e hoje é voluntária, afirma que muitas alunas chegaram sem saber pegar na agulha e atualmente já vendem o que produzem, ajudando na renda da família.
Mudança de hábito na comunidade
O trabalho também chegou às ruas do bairro. Um ponto de coleta de papelão, plástico e garrafas PET foi instalado, e os moradores passaram a separar os resíduos. Segundo Maria Cristina, o lixo doméstico tem outra lixeira, construída pela própria comunidade. Ela diz que o hábito de jogar lixo pela janela mudou muito e que o lixo que ainda aparece no igarapé vem de áreas mais acima.
As oficinas contam com apoio financeiro do Programa Icamiabas, da Manauara Associação Comunitária (MAC), com apoio da Fundação Rede Amazônica. O programa apoia mulheres que lideram ações comunitárias em áreas vulneráveis de Manaus.
Maria Cristina espera que a experiência chegue a outros bairros e comunidades. “Hoje eu tenho 64 anos, então é um legado que eu vou deixar para minha filha e para minha comunidade”, disse.
Com informações de G1 amazonas.




