sexta-feira, 6 de novembro de 2026 Amazonas
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Sinetram suspende novos créditos do Passe Livre Estudantil e governo diz estar em dia

Estudantes da rede estadual de Manaus ficam sem novas cotas de gratuidade. Sindicato cobra dívidas de 2025, e o Estado afirma ter pago tudo de 2026.

Foto: CM7

Os estudantes da rede estadual de ensino em Manaus ficaram sem a liberação de novos créditos do Passe Livre Estudantil. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) anunciou a suspensão na noite de segunda-feira (2), por meio do aplicativo Cadê Meu Ônibus. Os efeitos passaram a valer nesta terça-feira (3).

Segundo o sindicato, o Governo do Amazonas tem pendências financeiras desde 2025, e as concessionárias não conseguem mais bancar as passagens gratuitas com recursos próprios. Os créditos que já estavam nos cartões continuam válidos e podem ser usados normalmente.

Como funciona o benefício

A gratuidade é liberada em cotas mensais, calculadas conforme os dias letivos. No início de cada mês, o aluno precisa solicitar a recarga. Sem a liberação, quem não tem saldo precisa pagar a meia-passagem.

O presidente do Sinetram, César Tadeu Teixeira, afirmou em entrevista ao Rios de Notícias que os cartões não foram bloqueados, apenas estão sem créditos. Ele disse que tentou negociar com o governo, mas não teve retorno dos secretários de Fazenda e de Educação. Também afirmou que a dívida anterior passa de R$ 270 milhões e está em discussão na Justiça. Ele alertou para o risco ao transporte coletivo: “o sistema pode até vir a entrar em colapso”.

Uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), em 26 de outubro, terminou sem acordo.

Governo contesta

O Governo do Amazonas diz estar em dia com o subsídio de 2026. De acordo com o governador Roberto Cidade, o repasse de outubro, de R$ 3 milhões, foi feito no dia 23. No ano, segundo ele, o Estado já pagou R$ 27 milhões.

Em nota, o governo afirma que os valores do segundo semestre de 2025 são alvo de disputa judicial. Argumenta que o Sinetram cobra valores incompatíveis com o contrato e não fornece relatório mensal de uso das passagens. Segundo o Estado, o uso mensal varia entre 4 mil e 24 mil passagens, mas a cobrança corresponde a 130 mil alunos.

Rotina dos alunos e cobranças

Alunos ouvidos relataram dificuldade para chegar às escolas e disseram que passaram a usar cartões de parentes idosos, o que limita a circulação dessas famílias. A suspensão não atinge a rede municipal. O prefeito Renato Júnior afirmou que a Prefeitura de Manaus mantém a gratuidade para alunos até o 9º ano e cobra a regularização dos pagamentos estaduais, inclusive na Justiça.

Na Câmara Municipal de Manaus, vereadores como Jaildo Oliveira (PV), Capitão Carpê (PL) e Zé Ricardo (PT) cobraram uma solução. Ainda não há previsão de quando os novos créditos serão liberados.

Com informações de CM7, Amazonas Atual, Portal do Holanda, Rios de noticia.