sexta-feira, 30 de outubro de 2026 Amazonas
Política

Cortes em auxílio alimentar nos EUA aumentam rejeição a Trump antes das eleições

No Arizona, mais de 465 mil pessoas perderam o SNAP. Insatisfação com a redução do benefício pode pesar nas eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

Foto: G1 - portal de Notícias

Os cortes no principal programa de assistência alimentar dos Estados Unidos aumentam o descontentamento com o presidente Donald Trump e podem influenciar as eleições legislativas de 3 de novembro, as chamadas midterms. O Arizona, no sudoeste do país, é um dos estados mais atingidos.

O Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP) perdeu cerca de 5 milhões de beneficiários em janeiro, após mudanças previstas na lei orçamentária sancionada por Trump. No Arizona, mais de 465 mil pessoas deixaram de receber o auxílio, entre elas 200 mil crianças.

Filas em bancos de alimentos

Em Tucson, o Banco Comunitário de Alimentos do sul do Arizona atende neste ano 50 mil pessoas a mais do que o habitual, em parte por causa da redução da ajuda federal. A responsável pela entidade, Natalie Jayroe, afirmou que há muita insatisfação, “inclusive entre pessoas que votaram no governo Trump”.

Uma aposentada de 67 anos, que pediu para ser identificada apenas como Christine, perdeu o benefício, que somava centenas de dólares por mês. Ela cuida de duas crianças, de 9 e 13 anos, e destina metade da aposentadoria ao aluguel. Segundo ela, a alta dos preços, agravada pelos efeitos da guerra contra o Irã, piorou a situação.

Óscar Ochoa, de 65 anos, veterano das Forças Armadas, também perdeu o auxílio e voltou a trabalhar como motorista de ônibus. Ele já votou pelo correio e disse ter escolhido candidatos democratas. Para ele, a lei orçamentária beneficiou os mais ricos e não ajudou “os pobres nem o americano médio”.

Disputas acirradas no estado

No Arizona, duas disputas pela Câmara dos Representantes são consideradas apertadas, em um cenário em que os republicanos correm o risco de perder a maioria. Em um distrito que inclui parte de Tucson, a democrata Joanna Mendoza centra a campanha no custo de vida e lembra que cresceu em uma família que dependia de cupons de alimentação. Seu adversário, o republicano Juan Ciscomani, que busca a reeleição, tenta se distanciar de Trump e promete não ser “marionete de ninguém”.

A recepcionista Angélica Garcia, de 45 anos, contou que, quando estava desempregada, seu pedido do SNAP levou mais de dois meses para ser analisado por causa das novas regras. Nesse período, as filhas se alimentaram basicamente de arroz, feijão e macarrão. Ela, que antes não se envolvia em política, agora pede aos vizinhos que votem. Para Jayroe, a dúvida é se os insatisfeitos irão de fato às urnas: “Se essas pessoas forem votar, podem fazer a diferença aqui”.

Com informações de G1 – portal de Notícias.