sábado, 7 de novembro de 2026 Amazonas
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Vazante do Rio Negro transforma a paisagem de Manaus em cinco meses

Comparativo entre junho e novembro de 2026 mostra bancos de areia, flutuantes encalhados e lixo exposto na capital. Estiagem já afeta mais de 129 mil pessoas no estado.

Foto: G1 amazonas

Em cinco meses, a paisagem de Manaus mudou com a passagem da cheia para a vazante do Rio Negro. Registros feitos em junho e em novembro de 2026 mostram áreas que antes estavam cobertas pela água agora tomadas por solo exposto, bancos de areia, lixo e fumaça no horizonte.

Na Marina do Davi, na Zona Oeste, ponto de embarque e desembarque de quem vai às comunidades ribeirinhas, estruturas flutuantes estão apoiadas em terra firme. Na região central, a vista do Mirante Lúcia Almeida também mudou: em junho, a água ocupava boa parte do cenário. Agora, trechos da margem aparecem expostos, com lixo acumulado.

No Porto do São Raimundo, um flutuante que ficava sobre o rio durante a cheia está encalhado na área portuária. Onde antes havia água, hoje circulam veículos de transporte de cargas. A Praia da Ponta Negra também mostra mudança evidente.

Moradora fala em dificuldade para trabalhar e falta de água

Maíra Oliveira, que mora perto da Marina do Davi, no bairro Tarumã, conta que a vazante complica a rotina de quem vive e trabalha nas comunidades da região. Segundo ela, os flutuantes ficam em terra, o que dificulta a locomoção e o deslocamento até o trabalho.

A seca também ameaça o abastecimento. De acordo com a moradora, quem vive em flutuante depende de poço. “Se secar muito, o poço também seca e a gente acaba ficando sem água”, explicou.

Ela disse ainda que o lixo levado pelas chuvas se acumula nas margens e nos igarapés, mas avaliou que o volume nesta vazante é menor que o do ano passado. Moradores fazem mutirões de limpeza. Maíra cobrou do poder público uma nova ponte para facilitar o acesso à comunidade, principalmente de pessoas com mobilidade reduzida, e melhorias na água.

Estiagem atinge o interior do estado

Segundo o boletim mais recente da Defesa Civil estadual, divulgado pelo Governo do Amazonas na terça-feira (3), mais de 129,7 mil pessoas já foram afetadas pela estiagem. O levantamento aponta 47 municípios em situação de emergência, entre eles Tefé, Parintins, Coari, Manacapuru, Maués, Borba, Humaitá, Lábrea e Presidente Figueiredo.

Em 26 de outubro, o Executivo estadual decretou emergência em saúde pública por 180 dias. O decreto, publicado no Diário Oficial, cita levantamento preliminar da Defesa Civil que identificou 562 comunidades isoladas pela seca. O isolamento dificulta o acesso a serviços de saúde e pode comprometer o transporte de pacientes e o abastecimento de medicamentos e oxigênio medicinal.

Até 27 de outubro, o governo havia feito ações de assistência em 15 municípios. Foram distribuídas 4,8 mil cestas básicas, o equivalente a cerca de 96 toneladas de alimentos, além de 3,4 mil kits de limpeza, 3.060 caixas d’água de 500 litros, três reservatórios de 5 mil litros e 18 kits purificadores de água.

Com informações de G1 amazonas.