domingo, 1 de novembro de 2026 Amazonas
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Economia

Especialistas apontam falta de planejamento e de recursos como entraves à infraestrutura na Amazônia

Debate promovido pela FGV reuniu consultor, professores e diretor do DNIT, que defendem prioridades claras, orçamento previsível e obras adaptadas à região.

Foto: Amazonas Atual

Custos elevados, falta de continuidade orçamentária e dificuldade de definir prioridades são os principais obstáculos para ampliar a infraestrutura e reduzir o isolamento da Amazônia. O diagnóstico é de especialistas em logística, gestão pública e empresários que participaram do Diálogos Amazônicos, projeto da FGV (Fundação Getulio Vargas), na última semana de outubro. As avaliações foram apresentadas no webinar “Como promover a infraestrutura na Amazônia?”.

Para integrar a região, segundo os participantes, são necessários investimentos de longo prazo, planejamento e obras adaptadas às condições ambientais e sociais locais. Para quem vive em Manaus e nos municípios do interior, onde rios e estradas são a principal ligação com serviços básicos, o tema afeta o dia a dia.

Piores indicadores do país

Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, afirmou que a Amazônia tem alguns dos piores indicadores de infraestrutura do Brasil. De acordo com ele, as fragilidades estão em saneamento, energia, telecomunicações e transportes, em um território de grande extensão, com rios complexos e sob efeito das mudanças climáticas.

Frischtak defende maior aproveitamento das hidrovias e modernização de rodovias estratégicas, sem abrir mão da proteção da floresta. No saneamento, pediu aceleração dos investimentos e soluções descentralizadas para localidades sem atendimento adequado. Sobre a escassez de recursos, foi direto: “Quando tudo é igualmente importante, nada é importante”. Ele defende planejamento de médio e longo prazo, com análise de custo-benefício e melhor governança dos gastos públicos.

Segundo o consultor, o Brasil investe cerca de 2,2% do PIB em infraestrutura, quando o necessário seria entre 4,5% e 4,6% ao ano. A diferença representa um déficit de aproximadamente R$ 300 bilhões anuais, e alcançar o patamar ideal exige esforço mantido por 15 a 20 anos. A estimativa de R$ 4 trilhões a R$ 5 trilhões para enfrentar parte dos problemas é nacional, e não um cálculo exclusivo para a Amazônia.

Programa permanente e adaptação aos rios

A professora Fabiana Lucena Oliveira, da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), propôs um programa permanente de investimentos em infraestrutura e resiliência climática, com recursos públicos e privados e horizonte inicial de dez anos. Depois, a iniciativa poderia virar uma agência permanente.

Entre as prioridades citadas por ela estão portos flutuantes e adaptáveis às cheias e secas, terminais regionais e melhor sinalização e monitoramento da profundidade dos rios. Fabiana também defendeu centros regionais permanentes de combate a incêndios florestais, com brigadas, aeronaves e embarcações, além de monitoramento contínuo da qualidade do ar. Ao comentar a fumaça em Manaus, disse que a falta desses recursos afeta a população e a atração de investimentos. Segundo ela, parte das pesquisas climáticas depende de projetos com prazo limitado.

Joelson Sampaio, professor da FGV-EESP, afirmou que “sem planejamento, não adianta”. Ele alertou que projetos mal estruturados podem enfrentar problemas de licenciamento e levar anos para avançar.

Custos, orçamento e fiscalização

Luiz Guilherme Rodrigues de Mello, diretor de Planejamento e Pesquisa do DNIT, disse que obras na Região Norte exigem adaptações de engenharia por causa de solo, clima, chuvas e disponibilidade de materiais, o que pode elevar custos. Ele citou o Acre, onde a pedra está a grande profundidade e precisa ser transportada de outros locais.

O diretor defendeu “perenidade orçamentária a longo prazo”, argumentando que oscilações grandes de recursos de um ano para outro prejudicam contratos e cronogramas. Sobre estradas em áreas de floresta, afirmou que exigem presença e fiscalização permanentes do Estado. Como exemplo, citou a BR-174, entre Manaus e Boa Vista, na Terra Indígena Waimiri-Atroari, e mencionou unidades de conservação no entorno da BR-319.

Segundo o Censo 2022, a Amazônia Legal tem cerca de 29 milhões de habitantes.

Com informações de Amazonas Atual.